Você sabe se seu filho tem idade para acessar o Snapchat?

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Qual o limite entre proteger seu filho dos riscos das redes sociais e excluí-lo socialmente? Esse é um dos grandes dilemas de pais e mães de hoje, que se deparam com pedidos insistentes de crianças e adolescentes para ter WhatsApp, Tik Tok, Snapchat, Instagram, YouTube. Ou todos eles. Existe idade ideal para cada mídia? Meu filho é o único que não tem?

Como se viu nos últimos meses, grupos inspirados principalmente no livro Geração Ansiosa, de Jonathan Haidt, defendem um pacto entre as famílias para que celulares só sejam liberados aos 14 anos e as redes, aos 16 anos. E o Movimento Desconecta lançou este mês no Brasil um documento para que literalmente os pais assinem um acordo dizendo que respeitarão essa idade limite em suas casas.

Snapchat é uma rede social popular entre os jovens
Snapchat é uma rede social popular entre os jovens

“Juntos, conseguimos vencer a pressão social”, diz o documento. Movimentos assim têm sido um motor fortíssimo para que os pais questionem suas decisões, se informem mais sobre os riscos e adiem o máximo a exposição a celulares e redes para as crianças – algo sobre o qual se tinha pouca reflexão até então.

Foram também cruciais para se aprovar o banimento do celular nas escolas. Mas a execução em cada casa nem sempre é fácil em um País com a imensidão e a diversidade do Brasil.

Isso não quer dizer que os pais devam se guiar pela idade completamente aleatória, de 13 anos, indicada pelas empresas de tecnologia. Uma boa ferramenta para ajudar nessas decisões e aprender sobre educação midiática é o Common Sense Media, uma ONG americana pouco conhecida no Brasil e com um site disponível em inglês e em espanhol.

São mais de 45 mil classificações de filmes, aplicativos e games, que passam por avaliação criteriosa de especialistas. Eles então indicam a idade recomendada e explicam o porquê.

Há pontuações para a quantidade de palavrões, violência, nudez ou propagandas que aparecem em cada uma das mídia. E sugestões de como os pais podem conversar sobre elas com os filhos.

O Snapchat, rede social cada vez mais popular entre os adolescentes, em que as fotos somem depois de alguns segundos, é indicado apenas para maiores de 16 anos.

“O aplicativo ganhou reputação como um possível meio de sexting”, explica o Common Sense Media. Sexting é o envio de fotos com conteúdo sexual. O texto também avisa aos pais que é possível fazer prints de tela das fotos, antes que elas desapareçam.

ONG avalia quantidade de palavrões, violência, nudez ou propagandas que aparecem em cada uma das mídia
ONG avalia quantidade de palavrões, violência, nudez ou propagandas que aparecem em cada uma das mídia

Pais e adolescentes podem fazer comentários sobre as avaliações no site, que tem conteúdos gratuitos e outros só para assinantes. Uma garota não identificada, de 13 anos, reclama que sua mãe não a deixa usar Snapchat. Ela diz se sentir excluída e vítima de bullying porque não pode se comunicar como o resto da turma pelo app.

“Essas situações são muito comuns, mas incentivamos pais e filhos a terem conversas significativas sobre o uso das mídias e estabelecerem limites adequados. É preciso ouvir atentamente seus filhos e, ao mesmo tempo, manter-se firmes nesses limites”, disse ao Estadão um dos vice-presidentes da ONG Merve Lapus, que vai estar esta semana no País para um evento do Instituto Palavra Aberta.

Ele completa que as classificações etárias que fazem “são um guia, não um portão”. “Elas se baseiam em pesquisas de desenvolvimento infantil e ajudam os pais a fazer escolhas com base no que é melhor para seus próprios filhos, porque o que é assustador para uma criança de 8 anos (um filme) pode ser a maior emoção para outra criança de 8 anos.”

Os pais não precisam ter todas as respostas sempre. Mas conversar sobre riscos das redes, fontes confiáveis, exposição, saúde mental e também acolher os sentimentos de cada criança ou adolescente – e não apenas proibir sem que aprendam nada com isso – é a mais pura educação midiática, tão fundamental hoje em dia.

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