BRASÍLIA- O ministro da Educação, Camilo Santana, convocou uma reunião nesta quarta-feira, 23, para discutir como assegurar a qualidade da internet nas escolas. Camilo afirmou que o governo quer “dados reais” sobre a questão.
A reunião foi convocada após o Estadão revelar nesta quarta-feira, 23, que o governo federal fornece dados inflados sobre a qualidade da conectividade nas escolas públicas do País. Conforme levantamento da reportagem, 15.404 colégios têm rede de internet ruim, que não atende a comunidade escolar, mas é considerada “adequada” pelo ministério.
O governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prometeu conexão adequada em todas as escolas públicas do Brasil até o fim de 2026.
“Decidi agora à tarde fazer uma reunião, chamar a equipe para a gente ver de que forma a gente pode aperfeiçoar”, afirmou o ministro. “Mas não há a menor intenção do governo de alterar qualquer dado. Ao contrário, queremos dados reais, transparência, para que a gente possa melhorar a educação nas escolas públicas brasileiras.”

Como a reportagem mostrou, há escolas cuja internet é considerada adequada pelo governo que os estudantes não conseguem nem mesmo acessar a rede para fazer atividades pedagógicas. Na escola Irmã Maria Regina Vilanes Regis, na periferia de Brasília, estudantes usam recursos recebidos por meio do programa Pé-de-meia para contratar internet para fazer a lição.
Durante coletiva de imprensa nesta quarta-feira sobre a criação de um novo exame para avaliar cursos de Medicina, o ministro destacou que a internet das escolas deve ser suficiente para que os estudantes possam utilizar.
“Esse é um programa importante para o ministério, para o País, para as escolas, garantir que as escolas públicas brasileiras tenham conectividade. Não só internet para o diretor da escola, mas para os professores, para os alunos”, disse.
O ministro afirmou ainda que a pasta está focada em garantir a formação de professores na área digital. Sobre a disparidade dos dados, Camilo argumentou ainda que o MEC leva em conta as informações oferecidas pelas escolas.
O levantamento feito com base em dois pedidos da reportagem via Lei de Acesso à Informação respondidos pelo governo mostra que das 137,9 mil escolas públicas do País, 49,2% têm internet com velocidade considerada adequada. O MEC informa, no entanto, que o porcentual é de 60%.
Para chegar à taxa, o MEC desconsidera o padrão estabelecido por resolução do Comitê Executivo da Estratégia Nacional de Escolas Conectadas (Cenec), editada pelo próprio governo. Além do medidor oficial, a pasta considera cinco diferentes fontes de informação, parte delas fruto de mera autodeclaração de diretores de escolas.