Ex-aluno da Escola Politécnica (Poli) da Universidade de São Paulo (USP), Rubens Ometto ocupa hoje o cargo de presidente dos Conselhos da Cosan, Comgás e outras empresas. Em cerimônia nesta quinta-feira, 29, na USP, ele oficializou a doação de cerca de R$ 19 milhões em nome das duas companhias à universidade paulista para a revitalização de um prédio e a construção de um edifício do zero.
A doação já vinha sendo negociada desde 2022. Isso ocorreu após Ometto ir à Poli e não ter ficado satisfeito com a infraestrutura física dos prédios. “Quando fui lá ver, para a minha surpresa, não gostei das instalações da Engenharia de Produção”, conta. “Falei: ‘isso não pode ficar assim’”.
O empresário avalia que “quando o setor produtivo investe em formação, investe na própria sustentabilidade dos seus negócios”, já que a formação de profissionais qualificados é “essencial para impulsionar a inovação e manter nossa competitividade em setores estratégicos”, reforça.

Ele diz que a doação é uma forma de gratidão pelo tempo que passou na USP e para contribuir por “tudo o que o governo do Estado de São Paulo, através da USP, fez” por ele.
“É um ensino grátis, que o governo dá para todo mundo, que eu aproveitei muito e fez muito bem na minha formação”, diz o presidente do conselho das companhias, que tomou a frente do investimento em nome da Cosan e Comgás, empresas de energia e gás natural, respectivamente.
“Foram anos maravilhosos os meus cinco anos na cidade universitária e ela (a POLI) me ensinou muita coisa, me preparou, e é uma das grandes responsáveis por tudo o que realizei na minha vida”, completa.

Com o valor doado, será feita uma revitalização no prédio do Departamento de Engenharia de Produção, modernizando o espaço que existe hoje, e a construção do Edifício Integrador, um espaço com salas de pesquisa que conectará os quatro blocos do departamento.
O novo prédio será construído em um espaço onde hoje há um vão livre e uma passarela. Terá dois andares e abrigará espaços para cada uma das áreas de pesquisa do Departamento de Engenharia de Produção:
- Modelagem de Dados e da Decisão
- Transformação Digital e Indústria 4.0
- Empreendedorismo, Inovação e Sustentabilidade
- Estratégia, Gestão e Organização

“A revitalização foi pensada para promover a integração entre natureza, tecnologia e bem-estar, com soluções voltadas à sustentabilidade, como reaproveitamento de água da chuva, uso de madeira certificada e paisagismo com espécies nativas para uma gestão de obra mais eficiente e de menor impacto ambiental”, dizem as empresas doadoras.
A previsão é que o prédio fique pronto em 2026. O projeto foi aprovado no Conselho do Departamento de Engenharia de Produção, em seguida no Conselho Técnico e Administrativo da Poli e, por fim, a Procuradoria Geral da USP para aprovação jurídica formal.
Como pessoa física, Ometto já havia “adotado” uma sala do Departamento de Engenharia de Produção. Agora, o investimento, nas figuras jurídicas das duas empresas, é de outra escala, sendo o primeiro prédio construído completamente com investimento doado na Poli.
A escolha pelo investimento no Edifício Integrador e na reforma de um dos blocos se deu porque eram projetos que já constavam no plano diretor do Departamento de Engenharia de Produção, mas que tinham ficado “para depois” pela falta de orçamento, conta a professora Marly Monteiro de Carvalho, que chefiou o departamento entre os anos de 2019 e 2023 e idealizou a parceria.
“Era o que faltava para reformar o departamento inteiro”, ela diz.
Doações de mobília e tecnologias para equipar as salas são bastante comuns na Poli, diz a professora. Ela desconhece, porém, um prédio cuja construção tenha sido totalmente fruto de doação.
Não há contrapartidas da USP para essas doações, para além de uma placa com o nome da pessoa ou empresa doadora.

A USP já teve alguns prédios construídos ou reformados com recursos provenientes de doações, como o Museu do Ipiranga e a Biblioteca Brasiliana.